quarta-feira, 10 de junho de 2009

Escárnio

Usava a raiva como vis inertiae, tentando chegar ao esquecimento. Ridículo: aquela mente pífia não tinha controle sob circunstâncias um pouco mais incômodas - o que levou ao ocaso de sua personalidade. Real, irreal... Alternava-se em mútiplos contextos; inconstante par excellence. Era medíocre, porquanto não conseguiu obliterar simples e mínimas memórias.
Ele era...
Eu era; fui.
Perda de tempo, como quiser. Misto de loucura e aberração? Seja mesmo insânia e ódio, não muda em nada. Condições adversas faziam da minha vida a própria morte - nem isso, posto que morte é doce fim. Enfermidade se fez presente em todo o caminho... Aceito, apesar de reclamar: serviu para algo - resta descobrir qual a serventia.

Que fogo seria esse? Arde sem queimar; queima sem arder. Ora, em nossos peitos aprisiona-se a dor! E digo nossos, pois todos sofreram, sofrem e sofrerão. 
Clichê. Definitivamente, o inferno é a repetição. E de novo estou, nessa maldição cíclica: tornando-me igual, simétrico, meramente resto! Quem já não pensou nisso? Dissertou sobre? Montes... E nesse momento, verto-me em apenas mais um - acaba-se a prezada unicidade.

Não resta destino aos iguais; para esses, nada. Qual então o sentido, escopo de todas as coisas? Eu penso, logo enlouqueço. Existir ainda é a próxima etapa, ainda inantigida. 
Pois então...
Enlouqueçam!