domingo, 8 de março de 2009

Pensando...


Partamos para algo mais filosófico hoje. Li o post da Gi e lembrei-me de meus estudos sobre filosofia, principalmente do período pré-socrático, relacionado ao vir-a-ser e ao arché. Particularmente, são reflexões que acho maravilhosas para se fazer, logo, tentarei escrever algo bom.


Exercício de pensamento: arché


Segundo os filósofos pré-socráticos, o arché seria basicamente a origem, o desenvolvimento e o fim de tudo. O ciclo, a transformação, o vir-a-ser. De acordo com Platão, tais filósofos eram ainda as "crianças da filosofia", por possuirem uma visão pessoal e fragmentária da realidade. Mas não gostaria de entrar nesse âmbito. Meu intuito aqui é proporcionar outras linhas de pensamento baseadas nas reflexões desses filósofos, ou melhor, de alguns deles.
Certamente, seria extremamente estranho dizer que a origem de tudo é o número. Para Pitágoras, o número era o sinônimo de harmonia, junção de opostos. Então, façamos um exercício de pensamento: tudo pode ser representado numericamente? Não digo que esse era exatamente o pensamento dos pitagóricos, mas entrarei nessa linha. Coisas materiais podem ser facilmente representadas ou descritas por números. Lembrando das aulas de matemática, figuras tridimensionais, por exemplo, podem existir por alguns pontos em 3 eixos do plano cartesiano. Como eu disse, coisas materiais. Mas e os sentimentos? Sua intensidade poderia ser descrita numericamente? "Estou com uma tristeza de intensidade 7." Isso não existe. Nesse caso, os números são mutáveis. O cálculo de 2+2 deixa de ser igual a 4, porque as pessoas mudam, o sentimento muda proporcionalmente, se é que existe qualquer proporcionalidade.
Os quatro elementos era o arché de Empédocles de Agripento. Ele acreditava que a união destes poderia transformar e fazer tudo. Porém, para ele nada se altera de fato. A junção dos quatro elementos pode ser desfeita e feita novamente por outros princípios, sendo eles o amor e o ódio. Os elementos e os princípios seriam imutáveis, mas inconstantes, e suas resultantes pouco duradouras. Então, pensemos: isso aplica-se realmente, ou metaforicamente a vida? Sentimentos antagônicos como amor e ódio, poderiam construir ou destruir algo, a ponto de reduzir a durabilidade de tudo? Isso é fato: o ser humano é movido a sentimento. Mesmo que hoje esteja ocorrendo uma ausência dele e um aumento do egoísmo, ainda existe algum, mesmo que "ruim". Nossas ações são baseadas neles. Poderiam perfeitamente ser a causa da finidade das coisas. Logo, pode-se pensar que a racionalidade pouco, ou inexiste, pois está intimamente ligada à emoção/sentimento, certo? Não digo que seja uma verdade, mas é um exercício de pensamento.

Vir-a-ser

O ser humano é um processo, não algo acabado, nós nos tornamos. Pode-se entender melhor pensando no presente e no futuro. Os dois coexistem harmonicamente, sendo assim, ações atuais não devem ser levadas friamente em consideração daqui algum tempo. Contrário a isso, pensemos que nunca mudamos, nós somos. Nossa essência não muda, nunca, as transformações são apenas superficiais. Será mesmo?
Evoluimos, ou não. Em nosso âmago, nossa personalidade reside, por toda a vida. É inegável que amadurecemos, que mudamos. Qual será a mudança? De pensamento? Pode ser. Veja bem: não estou entrando em âmbito universal, mas sim no humano, mais precisamente unitariamente, em cada um de nós. Em nossa vida, somos forçados a de alguma forma crescer. Problemas mudam, responsabilidades aumentam, entendimentos surgem, pensamentos afloram, logo, nunca estaremos acabados. Se a vida fosse infinita, a metamorfose seria igualmente, mas a personalidade residiria permanentemente. Pensamentos iguais aparecem em muitos de nós, mas nem sempre o interpretamos da mesma forma, por isso existe a diversidade de opinião. Como sempre digo, a índole continua. Se quando velhos bebemos, por exemplo, é porque desde pequenos tínhamos certa predisposição. Não julgo como certo ou errado agora, mas é para se pensar.

O infinito mora em nossos pensamentos, mas não cabe em nossas mentes. Não sou dono da verdade, pois a verdade não existe. Apenas reflita, e não só nisso, mas em tudo.



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