terça-feira, 10 de março de 2009

You are my only, my only one.

Não tenho o que fazer, então vou postar meu conto. Ficou um lixo, mas ninguém vai ler mesmo.

Embaixo da chuva

Olho para o céu.As nuvens são escuras e densas. É tão lindo que sinto vontade de pegá-las e apertá-las entre meus dedos frios.A vontade passa ao me lembrar que não é possível.
Encosto-me na parede e me sento na calçada, sem me importar com o que as pessoas à minha volta vão pensar.Elas já me olham torto por causa do visual desleixado, com meus tênis sujos e velhos, a camisa xadrez por cima da camiseta preta, os jeans rasgados na bainha e no joelho direito e os cabelos ruivos jogados nos ombros. Não sei o que tem de mais em não seguir a moda. E pouco me importa. Na verdade, não me importo nada.
E também não importa que eles me olhem. Iriam olhar de qualquer jeito, quando eu começar a chorar daqui a pouco. Eu vou chorar. Embora não esteja com vontade.Ainda não. É uma questão de minutos.
Ultimamente, eu tenho chorado por tudo.
Olho para cima novamente. O céu está tão escuro que parece noite. A minha noite particular, às três da tarde.
-Importa-se se eu me juntar a você? – ouço uma voz masculina angelical. Viro meu rosto pra observar seu dono. Um menino alto e musculoso de olhos claros se curva para meu corpo encolhido na calçada, esperando por minha resposta. Tento esboçar um sorriso, mas meus músculos estão fracos demais para isso.
O anjo ao meu lado encara o meu silencio como uma resposta positiva.
-Sou Eric.
-Juliette – digo em voz baixa.
Silêncio.Olho para a figura angelical; parece cansado e amedrontado... E ao mesmo tempo, feliz.
Ele me encara.Os olhos azuis me trazem de volta sensações há muito arrancadas de mim. Paz. Calma. Felicidade.
Se tem algo que sei sobre sentimentos assim é que não podemos depender deles. Mais cedo ou mais tarde eles são arrancados de nós. É aí que ficamos apenas com os sentimentos reais; aqueles que fazem nossas lágrimas saltarem de uma maneira ruim.Mas são os mais verdadeiros.
Por isso, desvio meu olhar de volta para o céu.
-Não é fascinante? – diz o anjo chamado Eric.
-É...- me surpreendo; é a primeira vez que alguém concorda comigo em relação ao céu perfeitamente escuro.
Ele se levanta.
-Vamos. – me diz sorrindo e me oferecendo a mão.
Hesito por um momento.
Não tenho nada a perder.
Levanto-me. Ele sorri ainda mais.
Dois minutos se passam. A chuva cai.
Em minha cabeça ecoa a voz de Kurt Cobain: ‘’I will move away from here/ You won’t be afraid of fear/ No thought was put in to this./ Things have never been so swell/ I have never failed to fail./ Pain/ You know you’re right.’’
Em meu rosto, as lágrimas começam a rolar. Mas embaixo da chuva, ninguém as percebe.

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