segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

domingo, 6 de dezembro de 2009

Tão pouca fé?


I hear the angels calling
And the rain starts falling...

Anjos? Que vão para o inferno, pois lá é o lugar de todos! Paraíso não existe, é idealização. Vivemos em um relógio de fogo, onde a vida chama-se tempo e o tempo, vida... Onde cada segundo é o estalar do chicote em nossas costas, dor e pesar de um passado perdido e de um futuro inesperado - talvez vida e tempo sejam mesmo o próprio inferno...
Os demônios que lá vivem somos nós, presos, e as escolhas são malditos caminhos que não mais fazem diferença, porque nunca sairemos do lugar. Os sonhos nem buscam uma mera existência, já que não há sono. E para aqueles que sonham até mesmo acordados, não há chance, só realidade...
Queimemos, pois, nessa maldita prisão! Assemos nas jaulas quentes de metal em fusão! Nunca disse que não merecemos... Há tempos o amor fez-se ódio e o carinho, desgosto. Não mais vale a pena "tentar" - não existe essa palavra. Por isso é tão fácil falar em "anjos": agora só existem os falsos; verdadeiros viraram cinzas - e de cinza tudo está cheio... Os espertos sobraram porque assim se fizeram, e de tão mal feitos acabaram com sua própria imagem.
Talvez a felicidade reinasse antes de tudo, talvez por isso choremos ao nascer.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Blé...
Simplesmente odeio palavras babacas de falso amor, ou até mesmo aquele amor babaca de falsas palavras. Estou cansado de ver uma felicidade momentânea de todos, um fingimento como se tudo estivesse perfeitamente ordenado - essa ordenação é impura e caótica; para ser mais exato, ela não existe.
Cansei-me das futilidades, do exibicionismo ridículo. As qualidades reais não são reveladas, apenas etiquetas, posses, e o pior: ignorância.
Enjoei-me de ouvir músicas inexpressivas, que sujam a cultura do país. Enjoei-me mais ainda daqueles que as ouvem, pouco se importando com a qualidade. Questão de gosto? Questão de bom senso.
Estou cansado das peruas de shopping, de saber da vida de famosos que não fizeram nada de importante para conquistar a fama, dos que manifestam opinião sem procurar entender, dos falsos religiosos.
Talvez eu esteja cansado por tudo estar como está, essa imensa porcaria. Ou também por tentar ser diferente e perceber que não dá certo...
Com raiva? Sim. E isso foi um desabafo antes de qualquer coisa.

sábado, 22 de agosto de 2009


Palavras malditas e agourentas são aquelas que disseste a mim e a todos os outros, tolos, mendigos dependentes de sua existência! Pois amanhã, as mesmas vestes que te cobrem a nudez, hão der servir como trapos para te esconder a vergonha!

Que meu ódio seja a causa de teu fracasso! Que o medo da decomposição seja deliberadamente arrancado das entranhas de minha alma! A morte, o mais belo e doce fim, há tempos ocorreu; o que me resta é ainda a carne. Mas não devo recordar o passado: que este seja abolido com todo o resto. Porém, todo o resto ainda me definha, torna-me mais um louco que alterna seu humor!

Eu sonhei. E por mais que em tenro sonho seus lábios me tocaram a face, não reclamo: acordei. E que dessa realidade seja a feita a minha vontade, pois do mais puro dos altruísmos surgiu o egoísmo.

E sem mais poder dizer, tocar, amar, eu apenas penso - e felizes são os alienados, pois estes não precisam pensar! Então, desgraço-me por inteiro, enveneno-me com o sentimento! Mas ainda invoco a razão, mesmo que no limiar do mais profundo dos poços. E lá, onde todos os sussurros ecoam como respostas de nós mesmos, eu grito: amei, por isso sofri; amei demais e por isso morri!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Escárnio

Usava a raiva como vis inertiae, tentando chegar ao esquecimento. Ridículo: aquela mente pífia não tinha controle sob circunstâncias um pouco mais incômodas - o que levou ao ocaso de sua personalidade. Real, irreal... Alternava-se em mútiplos contextos; inconstante par excellence. Era medíocre, porquanto não conseguiu obliterar simples e mínimas memórias.
Ele era...
Eu era; fui.
Perda de tempo, como quiser. Misto de loucura e aberração? Seja mesmo insânia e ódio, não muda em nada. Condições adversas faziam da minha vida a própria morte - nem isso, posto que morte é doce fim. Enfermidade se fez presente em todo o caminho... Aceito, apesar de reclamar: serviu para algo - resta descobrir qual a serventia.

Que fogo seria esse? Arde sem queimar; queima sem arder. Ora, em nossos peitos aprisiona-se a dor! E digo nossos, pois todos sofreram, sofrem e sofrerão. 
Clichê. Definitivamente, o inferno é a repetição. E de novo estou, nessa maldição cíclica: tornando-me igual, simétrico, meramente resto! Quem já não pensou nisso? Dissertou sobre? Montes... E nesse momento, verto-me em apenas mais um - acaba-se a prezada unicidade.

Não resta destino aos iguais; para esses, nada. Qual então o sentido, escopo de todas as coisas? Eu penso, logo enlouqueço. Existir ainda é a próxima etapa, ainda inantigida. 
Pois então...
Enlouqueçam!


sexta-feira, 24 de abril de 2009

Revisão

Revisei grande parte dos meus textos, corrigindo erros ortográficos e mudando algumas "sutilezas". Nada radical foi alterado, a estrutura está a mesma. Já tinha lido várias vezes os textos, mas parece que quanto mais você lê, mais gostaria de corrigir. Desculpem por erros encontrados, espero que tudo (ou a maior parte) esteja correto.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Fotos

Eu fotografava: imortalizava fragmentos daquela noite escura e úmida. Estava frio, há pouco havia chovido; o asfalto molhado refletia em pontos brilhantes a luz artificial dos postes, enquanto a luz natural da lua era escondida por altos prédios que entornavam a rua. A fumaça subia dos bueiros e desaparecia no gélido ar, às vezes captada por minhas lentes.
Enquanto eu caminhava, solitário, meu sobretudo esvoaçava com as rajadas de vento. Era difícil acender o cigarro; para piorar tudo meu isqueiro ainda falhava. Conforme a noite avançava, o número de pessoas diminuía: já não era mais visto aquele tipo com maleta, cansado do trabalho, ou até mesmo mulheres carregadas de compras voltando para casa. Os carros também desapareciam lentamente na rua que era uma linha reta, aparentemente sem fim.
Era delicioso poder andar sem rumo, observar os seres que constituem o grande sistema caótico denominado sociedade. Analisar as diversas personalidades, atitudes, principalmente os olhares: enquadrar, focalizar e memorizar eternamente, com o simples aperto de um botão.
O tempo passou rapidamente, e já eram 3 da manhã quando avistei um letreiro em neon verde de uma lanchonete aberta 24 horas. Aproximei-me, e entrei: o ar era pesado, carregado de gordura assim como as hélices dos ventiladores que rodavam lentamente. O lugar estava iluminado por fortes luzes brancas, tornadas mais intensas pela cor clara dos pisos. As mesas, encostadas nas paredes e fixadas no chão, eram de um brilhante aço inoxidável. A atmosfera no geral não era muito agradável, parecia mais um matadouro. Não fazia diferença... Eu havia entrado apenas para tomar o cappuccino que acalentava minhas madrugadas.
Atrás do balcão, uma mulher lavava os pratos. Seu avental branco já estava amarelado; o cabelo loiro, desgrenhado. Suas olheiras demonstravam cansaço; poderia muito bem ser uma pobre quarentona fracassada, daquelas que moram em um apartamento alugado caindo aos pedaços com filhos para cuidar. Andei até o balcão e lá me sentei. Guardei minha câmera na bolsa, cuidadosamente, e ouvi:
- Posso ajudar? - disse a quarentona.
- Poderia me ver um cappuccino, por favor? - perguntei gentilmente.
Logo eu estava tomando meu café, e como sempre, observando. No geral, a lanchonete estava vazia como todo o resto da rua e da cidade, a não ser por um jovem casal de namorados sentados em uma mesa à esquerda, e um mendigo encostado em um canto, ao fundo. Os jovens conversavam alegremente, tomando milk-shakes e comendo hambúrgueres; a moça vestia um casaco de um time de futebol, provavelmente de seu companheiro. O mendigo dormia; estava sujo, com as roupas em frangalhos e os cabelos despenteados.
- Há quanto tempo aquele mendigo está ali? - Perguntei para a garçonete.
- Desde que chegou, há cerca de duas horas. Pediu comida para aqueles jovens que negaram. Fico com pena, mas meu emprego está em risco, não posso perdê-lo. - Confessou a empregada.
- Faça um hambúrguer e um suco pra ele, eu pago. - Afirmei.
Após alguns minutos, a garçonete acordou o mendigo e ofereceu-lhe o lanche. Ele comia rapidamente, sem se preocupar com boas maneiras ou com sujeira. Mastigava e engolia como um animal esfomeado, chamando a atenção dos adolescentes que negaram tal refeição. Aproveitei essa doce cena: tirei rapidamente a câmera da bolsa e fotografei, sempre discreto. Após terminar, o pobre homem voltou a recostar-se na parede, e lá ficou com os olhos fechados. A moça-do-casaco-de-futebol o olhava enojada, tratando-o mentalmente de uma forma inumana. Desviei o olhar e acendi meu cigarro; havia conseguido fazer funcionar o velho isqueiro.
Os jovens terminaram de comer e se levantaram; deixaram o dinheiro na mesa e foram até a rua, onde estava estacionado o carro. Acelerando de forma exibida, seguiram rapidamente por aquele caminho sem fim, deixando simplesmente de existir do "mini cosmo" da lanchonete.
Após terminar o café e o cigarro, também me levantei; paguei minha conta e a do mendigo, agradeci a atendente e a gratifiquei com uma gorjeta - certamente serviria para comprar algo para seus possíveis filhos. Dirigi-me até o pobre, tirei meu casaco e deixei ao seu lado: suas roupas eram finas, o sobretudo ajudaria a mantê-lo quente. Depois de uma última olhada no lugar, juntei minhas coisas e saí.
Minha noite estava ganha, tinha conseguido imagens que demonstravam o instinto humano. Além disso, consegui imagens que demonstravam a escória humana. É interessante como em simples olhares, os sentimentos revelam-se profundamente com a história de uns, e do egoísmo de outros...

sábado, 11 de abril de 2009

"Eu? Não jogue a culpa em mim! Ontem quando o abajur foi desligado, senti-me sozinho. Mas logo o dia chegou e não precisei mais dessas luzes artificiais... Quando eu caminhar na rua, pensarei. Pouco, digamos; quanto menos melhor. Contradição? Não, não... Só estou com medo do calor do Sol queimar-me sem eu ter a chance de perceber - tudo tem seu lado ruim.
Olha, melhor eu preparar logo esse café da manhã, preciso me alimentar de alguma forma, ao menos isso. Só que antes, poderia me ensinar a cozinhar? Droga, não me dou bem com essas coisas..."

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O que é justiça para você?


Eu ri. Gargalhei insanamente por incontáveis instantes de prazer e dor. Lá estava ela: seu corpo flácido, suavemente deitado na cama; os braços pendiam, os olhos verdes flutuavam nas órbitas, afogados por seu doce sangue que escorria também de seus lábios. Continuava linda; o tom de pele apenas mais alvo do que de costume. Seus loiros cabelos eram perfeitos: desciam ondulados por seus ombros de textura sedosa. Contudo, a beleza não é eterna, e logo a sua iria esvair-se tão rapidamente quanto à consideração por mim.
Era para esquecer? Pois bem. Deixei de dar valor, como assim foi feito comigo; a diferença é que para mim as coisas sem valor são sinônimas de mortas... Agora os vermes iriam devorá-la, tornariam sua carne fétida e pútrida, desfazendo-a lentamente, semelhante às lembranças minhas que agora se desfaziam.
Era ótimo; o gosto da vingança, tão sublime, subia e satisfazia-me. Eu poderia ter feito mais... Tê-la feito sofrer como sofri, sem chances de defesa, de escolha. Mas sua inexistência já era de bom grado.
Eu caminhava ao redor de seu corpo e a admirava, por mais uma vez, e pela última ela seria minha... Toquei suavemente sua gélida pele, fechei as pálpebras dos olhos que tanto amei e limpei sua boca já arroxeada. Suas vestes eram brancas; um comprido vestido de renda, agora sem qualquer utilidade.
Não era necessário enterro; meu sentimento não havia sido dignamente enterrado. O corpo que definhasse por ali mesmo...
O conceito de justiça tinha sido drasticamente alterado, ou melhor, inadmissivelmente alterado. Machucar alguém e viver sem qualquer remorso, sem dar tempo de cura para as feridas, era cruel. Fui cruel ao matá-la, entretanto fui justo.
Dessa vez, nada de equilibrar-me no limite da loucura; ou enlouquecia de vez, ou melhorava. Estava feito. Não me preocupei com pesadelos, pois os tinha há tempos. Acostumei-me às tormentas noturnas como alguém se acostuma à água fria após algum tempo em contato com ela - e que morre de hipotermia...
Era melhor assim; desejá-la e ter a absoluta certeza de que não é possível tê-la mais. Lembrar de sua vida e agora saber que está morta, que não mais sonha e sente...
Deixei a sala. Como último adeus, encostei meus lábios em sua testa e senti frio. O frio da eterna solidão; aquele que só pode ser sentido quando não se vive mais, o frio que também sempre senti.
Caminhei vagarosamente até a porta. Nesse curto percurso, deparei-me com uma incrível certeza: a de que eu voltaria, incessantemente, todos os dias, para vê-la e lamentar a saudade. Então busquei um galão de gasolina que sobrava no carro, embebi seu corpo; encharquei seu lindo vestido e seus cabelos. Com o cigarro que em minha boca estava, ateei fogo. Peguei o que me matava, e usei para acabar com o que já tinha me matado. Suas cinzas sumiriam no ar, junto com a fumaça do fogo que um dia foi amor...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Nanquim


Ahn, só para compartilhar o desastre de minha brincadeira com nanquim. Um pincel decente faz falta... Mas pelo menos o tempo passou e me distraí, certo?

sábado, 28 de março de 2009

Seguindo alguns conselhos, aqui vai uma abordagem diferente. Um exercício; tentativa de revelar outra personalidade. A diferença será percebida comparando esse com outros textos.

"Sou escritor, acredito no que for preciso para criar um texto" [Neil Gaiman]

Há quem pense que enlouqueci. Eu tenho certeza. Perdoem-me os sentimentais et loc genus omne, mas cansei do indigno romantismo; sentimentos não levam a nada senão à ilusão. A decadência está implícita no sentir, juntamente com a fraqueza. A razão, pois, converge com o agir na realidade - a fantasia dos sensíveis está longe de encaixar-se em tal realidade.
Meu niilismo sempre conduziu-me à verdade; distante de julgamentos influenciados pelo ressentimento ou amor, por exemplo. Assim como Nietzsche conseguiu curar-se de sua enfermidade um dia, busco curar-me da minha hoje. As semelhanças não encerram aí: também deixei a decadência para o resto e enxerguei; pouco no começo, cada vez mais agora.
O que virei a ser pouco importa; do presente se faz o futuro. Por isso a tentativa de superação - ó insânia!
Dentre as crenças, tenho a minha: a razão. "Eu sou curioso por demais, questionável por demais, animado por demais para poder aceitar uma resposta esbofeteada. Deus é uma resposta esbofeteada e grosseira, uma indelicadeza contra nós, os pensadores - no fundo apenas uma proibição esbofeteada e grosseira contra nós: vós não deveis pensar!".
Pois bem, a aceitação de minha condição independe do consentimento dos outros animais - destes não se deve ouvir nada. Os valores inversos são adorados por eles como se garantisse o futuro.
Minha altiva solidão foi sempre a melhor companhia - por ela não tenho asco. Tenho apenas a mim e a mim mesmo, o suficiente para ocupar-me para sempre.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Diário

Diário maldito. Não serve nem para me escutar. Escrevo mais e mais, e sempre a mesma coisa: nada. O que está havendo? Não sei. A única coisa que ainda sei é que a dor é insuportável. Não me deixa ter um momento sozinho, está sempre lá, me acompanhando. Fazer o quê? Já tentei de tudo. Eu não me entendo, as pessoas não me entendem. Será mesmo que um caderno antigo e rasgado entenderia? Como sou idiota.
E ainda tento fazer algo. Enfim, pelo menos aprendo. Lembranças dolorosas devem ser trancafiadas para sempre. Pois é assim que faço: nunca leio antigos textos desse diário. Já tentei ler, confesso. Mas o que adianta? Tristes memórias não devem ser recordadas. As felizes? A mesma coisa, isso que é engraçado. Quando se está mal, nada pode te salvar, esse é o problema.
Existem soluções momentâneas, claro. Pode-se tentar distrair, conversar, qualquer coisa. Porém a dor ainda está lá. Apenas espera um pouquinho pra brincar de novo com você. Ela adora companhia, já perceberam?
De qualquer forma, não sei como essas páginas ainda não rasgaram-se em minhas lágrimas. Ou como esse caderno resiste à tanto sofrimento. Está sempre firme. Parece até que espera eu ter mais e mais desabafos. Ou que os desabafos acabem, e ele possa ser destruído com todas as recordações.
Cheguei a conclusão que tenho que aprender a me virar sozinho. Me acostumarei com toda essa situação, pronto. Ah, se fosse tão fácil assim. Já disse isso várias vezes pra mim, em meus pensamentos. E sim, não passam de pensamentos, pois a realidade é outra.
Eu poderia apenas viver, e não viver feliz. Deixar que tudo aconteça, mas não consigo. As preocupações adoram ficar me chamando: acho que são amigas da dor, mas não contem pra ninguém.
Ainda estou escrevendo aqui? Perda de tempo, não vai resolver mesmo. Espero que chegue logo o dia em que eu possa queimar logo esse livro, e não importa se minha alma for junto.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Segundos


Ah, mais uma de minhas péssimas poesias. Não importa. Ando um pouco cansado de escrever em prosa, e gostaria de treinar as artes poéticas.

Dos sentimentos se fazem os momentos,
Dos momentos as lembranças,
Das lembranças a vida:
Ó tênue tecido de linhas coloridas!
Coloridas como os dias, enodoadas como os instantes,
Cruzadas e descruzadas com agulhas que são o presente.
Azuis, brancas, douradas, até mesmo cinzas e pretas,
Linhas finas e resistentes cujo os pontos não podem ser desfeitos,
Mas que estragam-se e desmancham com o tempo.

O Tempo!
Não o perca.
Nunca.
Viva.
Pense.
Sonhe.
Sinta.
Ele passa.
Grita.
Mas congela-se em palavras
Íntimas de uma poesia.

E como as pétalas das flores,
Vão-se os amores:
Desfeitos,
Cansados,
Tristes,
Ainda amados.

Mas a saudade tem esperança,
De que as flores que morreram
Nasçam novamente,
E cresçam,
E vivam,
E ardam num misterioso fogo,
Um dia aceso.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Buscando algo

Sozinho, encolhido em uma imensidão de sentimentos. Mesmo na escuridão, eu tentava enxergar. No silêncio, tentava escutar. Meus sentidos aguçavam-se somente para mim e meu interior. Queimava; o fogo do desconhecido ardia dentro da minha labiríntica alma, e lá estava eu, completamente perdido. A busca pelo entendimento tinha começado. Algo seria explicado?
Os muros eram altos, maciços, uma defesa: a sensibilidade era frágil, deveria ser protegida. O caminho seria percorrido, não havia outra escolha.
Imagens, lembranças voltavam como o passado em pleno presente. Meus pecados buscavam a redenção, mas não a tinham. Cada atitude errada era apredejada; as certas, ninguém ligava. E as visões transformavam-se em figuras negras, em vultos frios que me arrepiavam, já que pouco os via.
O destino era incerto, assim como o caminho. Minhas perguntas encontraram-me, questionando-me sobre a saída daquela prisão. Mas eu não sabia, nunca soube, estava ali para achar, se é mesmo que acharia. Pois se não achasse, ficaria preso em meu próprio ego, o pior lugar possível.
A contradição me tomou. Como eu a odiava. Enlouquecia-me, traia-me com seus pensamentos, pregava peças em minha mente. Mas a cada passo eu via mais minha realidade, entendia mais minhas emoções. Até que a dor perseguiu-me.
Como era horrível, torturante. Era a junção de todo o meu lado ruim, todos os meus sentimentos, minhas feridas. Ela me arranhava impiedosamente, apunhalava meu peito. Machucava tanto que pude enxergar: tinha uma figura infantil, franzina, a minha imagem. Porém cruel, desprovida de qualquer tipo de bondade. Definhava-me mais e mais, e preso fiquei em seus braços. Braços quentes, que me acalentavam, que me acariciavam e supriam a carência de um solitário.
A dor havia me ferido apenas para cuidar de mim. Pois lá fiquei. Encontrei a paz na obscuridade de meu ser. Perdi-me em seus talvez falsos carinhos, mas agora não importava. Estava lá com quem me acompanharia para todo o sempre.

segunda-feira, 16 de março de 2009

A noite

Deitado na cama, eu pensava. A noite era escura; a brilhante luz da lua era filtrada por nuvens que cobriam o céu. Minha hora preferida. Escondia-me sob os densos cobertores, entrelaçava os dedos sobre meu peito e sonhava acordado. Olhava para o teto, sem nada enxergar, sem ao menos prestar atenção. Enquanto minhas pálpebras não eram cobertas de areia pelo Homem dos Sonhos, eu refletia sobre tudo e qualquer coisa. Mas naquele dia o tema trazido por minha mente era especial: a magia da noite. O que tinha ela de tão especial?
É à noite que sonhamos: nossos mais profundos e secretos desejos tornam-se realidade em um mundo frágil, sensível, quebradiço; uma fantasia de infinitas possibilidades. E ao mesmo tempo, nossos medos nos atacam; as lembranças chegam cruéis, cobras que dão o bote, que nos mordem e deixam seu veneno por dias.
À noite ensaiamos para nosso fim. Dançamos parte da coreografia da morte com a melodia dos pesadelos. Nossas almas caminham sem endereço certo momentaneamente, mas por estradas que levam a um só caminho. Poderia a eterna noite negra ser como o sono?
Na silenciosa escuridão vagam as almas solitárias que não dormem, as aberrações excluídas pela luz; vampiros que nem sempre chupam sangue. Aquelas tristes figuras que temem revelar-se durante o dia, sendo queimadas por olhares enojados...
E na cama, durante o sono, descansamos: nossas energias são revitalizadas e nossa vida revigorada. Nossas forças reaparecem por algum tipo de magia. Das estrelas?

sábado, 14 de março de 2009

Marcas da Vingança

There were red roses or white roses dyed in blood?

Vozes ecoavam em sua mente, visões de vultos amedrontavam seu espírito. Estava sozinha. Seu maior medo era a loucura, e temia já ter chegado a esse ponto. Rastejava nas ruas escuras; as poucas luzes criavam sombras bruxuleantes sobre o asfalto úmido de uma noite chuvosa. Suas vestes, sujas por lágrimas de sangue que vertiam de seus olhos, colavam-se em seu corpo trêmulo. O vestido branco, tornara-se negro, assim como sua mente. Vagava sem saber para onde ir. Suas mãos apertavam sua cabeça, como que para arrancar as lembranças, e desgrenhavam seu cabelo molhado da chuva. Balbuciava algumas ininteligíveis palavras para alguém além daquela triste madrugada.
Lembrava-se de cenas de sua vida, de seu amor. O que havia feito? O arrependimento caminhava inquieto, apunhalava seu peito impiedosamente. E ao mesmo tempo uma satisfação a fazia rir insanamente, com um gosto dolorido de vingança. "Ao menos ele pagara pelo que fizera" pensava ela.
Porém sua imagem a incomodava. A imagem do corpo morto, gélido, flácido com um olhar etéreo. A faca estava fincada bem no coração. Como conseguira ser tão cruel? Não importava, estava feito: o matara, no dia do casamento.
Precisava de seu calmante, tremia mais e mais. Nunca imaginou que seus problemas mentais aparentemente simples pudessem levar a uma atitude tão radical. Muito menos que teria frieza o suficiente para roubar a vida de alguém, dessa forma, sem chances de defesa.
Esfriava. A noite passava lentamente, torturante. Gemidos de dor ela ouvia. Vivenciava o passado como se fosse o presente. Não havia solução. A dor não passava, nem dava sinais de que passaria. Havia enlouquecido, agora tinha essa certeza. E no meio de tantas lembranças doloridas, surgiu uma imagem tranquilizante: a lagoa. Passaria a eternidade lá, e assim foi. Lembrou-se do caminho que há anos não percorria. Ia lá quando criança, jogar pedras na água, ver a paisagem, liberar mágoas que começavam na ingenuidade de sua infância. Mas nesse dia essa lagoa teria outra finalidade.
Quando chegou, entrou lentamente na água coberta por uma espessa camada de névoa: fantasmas que davam boas-vindas. Suas malditas lembranças seriam lavadas, assim como sua existência. Seus pecados, purificados em um novo batizado para seu fim. Caminhou até o fundo e mais fundo, segurando as rosas brancas restantes de seu buquê: eram lindas, puras, um contraste com sua alma? Rosas que flutuaram durante dias na lagoa, como que para embelezar o funeral da noiva atormentada.





Reflexos

Estava acordado. Olhando no espelho, vi o rosto de alguém cansado. Meus olhos fundos e minha barba por fazer insinuavam que o tempo passava para mim. Percebi que ele devorava-me ferozmente, destruía meu corpo, enfeava-me ainda mais; inexorável, impiedoso.
Mas assim como era arruinado fisicamente, minha mentalidade crescia em igual proporção. As idéias surgiam mais, os sonhos concretizavam-se em um universo completamente fantasioso, onde o tempo inexistia.
Nesse meu universo eu buscava viver. Permanecia absorto em minha imaginação para escapar da realidade. Era o meu refúgio, minha solidão, talvez meu alter ego onde não havia o impossível. Nele eu descansava, dormia, fechava os olhos e tinha os sentidos roubados.
Quando realmente necessitava acordar, escondia-me através das sombras de um mundo onde nem luz havia, onde a vida era simplificada, resumida em uma existência qualquer; constante, simétrica, sem graça. Porém tirava proveito para amadurecer e alimentar meu interior: sacrificava meu corpo com a passagem do tempo apenas para enriquecer as ideias e alimentar meu universo.
Entretanto, mesmo sonhando, meu físico ainda envelhecia e deteriorava-se, e nada podia ser feito. Eu ainda estava lá, acordado, olhando no espelho, enxergando meu reflexo e pensando. Logo eu desapareceria e tudo o que criei seria destruído, arruinado por um simples capricho da única coisa que é certa. Então me expressei: escrevi, desenhei, pintei o que há tempos estava aprisionado em meu ser. Deixei o egoísmo de lado; o mundo sem luz precisava de no mínimo uma chama para que pudesse acender outras velas.
Assim foi. Sumi, ninguém percebeu. Como disse, a existência pouco importava. Meu universo cresceu, e já se colidia com a realidade. As ideias permaneceram, e foram as únicas coisas que resistiram ao tempo.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Na fonte da alma

Seu rosto era coberto, pois estava dividido em múltiplas faces. Assim como sua alma, fragmentada em pedaços de vida solitária, tentando juntar-se em única entidade. A personalidade, mutável, possuía a inconstância de suas lágrimas, que se espalhavam sobre seu corpo. Sua tez era alva, macia. Seus olhos brilhavam como um cristal iluminado pela luz da manhã, pedindo amor. O que seria dela sozinha?
A chuva caía-lhe, dando pequenos pulsos de vida. Mas não vivia, apenas buscava respostas. E nas respostas que não encontrava, via uma forma de continuar. E caminhava. Caminhava em busca de um ser, de um nada, um tudo. Não sabia ao certo.
Ao deparar-se com mistérios, questionava-se. Dava valor aos detalhes que ninguém se importava. Pois sua mente era composta por supostas insignificâncias que lhe eram um presente. E o futuro? Incerto. Seu tempo era diferente: não passava.
Presa continuou. Não libertou-se de memórias que açoitavam sua simples existência. Era apenas mais um ser humano. Por que incomodar-se tanto? Porque ainda assim, nela havia sentimento, o que hoje falta nos outros...

quinta-feira, 12 de março de 2009

Homo Isanus


Seres humanos.Tormenta. Contradição. Sinônimos? Ahn? Quê?
Loucura. Será? Dever ser. Tem razão.
Diga-me o que ouves. Muitas coisas. Vozes! Vozes! Vozes!

Diga-me o que pensas. Ah, como se eu soubesse!

Diga-me o que sonhas. Apenas sonho.

Diga-me em que acreditas. Em nada.


Pois em seu âmago vagava a incerteza que o infligia sem qualquer piedade. Pois em sua alma caminhava a dor. Será que conceitos estavam difusos na mente de um solitário pensador?

Ode à Imperfeição

Estou na escola, rascunhando de novo. Mas hoje estou na aula de filosofia. Sim, estou no meio da aula. O professor está falando sobre a diferença sobre instinto e inteligência. Segundo ele, instinto é como um animal age. Inteligência é como o homem age. Discordo.
Mas como ele não me deixou exlicar o motivo, me inspirou a escrever no meio da aula. Agora ele que aguente. Eu era a única prestando atenção no que ele está dizendo.
Pra mim, essa história de o ser humano ser o único animal racional é mentira. Principalmente se formos pegar como exemplo os meninos da minha sala. Mas não quero usá-los como exemplo, porque se eu for processada, não quero que seja por eles. Então, usarei o Bush.
O professor acabou de falar dos macacos, que conseguem raciocinar, mas não sabem o que fazem.Raciocinam por instinto.Isso foi comprovado a partir de um teste simples: Foi colocado um cacho de bananas pendurado no teto e uma caixa de madeira mais distante.O macaco, quando viu que não conseguiria alcançar as bananas, pegou a caixa, subiu em cima e alcançou o cacho. Ele conseguiu medir as consequências (saudades da trema!). O Bush não pensou nas consequências de uma guerra no Iraque. Não pensou em quantas vidas tiraria,nem em quantos lares destruiria.
Eu não pensei nessa rima.
Enfim,o macaco é mais inteligente. Que o Bush, pelo menos.

(obrigada a Letícia,pela idéia do título,ae o/ )

quarta-feira, 11 de março de 2009

O tempo...

O tempo passa?
Passa, passa, passa...
Assim como flores crescem
E morrem.

E para as flores que vivem um dia
Cada segundo é tempo,
E para nós
Não é nada.

Nem o sentimos
A não ser pelo sentimento,
Que se acalma
E enfurece,

Ou pelas rugas e marcas
Que enxergamos no espelho,
E apenas refletem o que vivemos,
O tempo que perdemos...

terça-feira, 10 de março de 2009

Difícil de entender

Saco, odeio quando fico sem saber muito o que escrever. Mas enquanto pensava nisso, lembrei-me do Caos. Será que seria loucura demais? Misturar Física com Filosofia? Hm, não sei. Então tentarei partir para a parte mais filosófica da coisa.

Destino ou Caos?

Muitos acreditam no destino, poucos sabem o que é caos. Sabe-se que a humanidade busca respostas, sendo que as mais misteriosas não são respondidas. Logo, chega-se ao conformismo.
Sempre ouvimos: "não se preocupe, o que é para ser, será." Ou justificamos nossas derrotas e fracassos com o destino: "não era para eu ter conseguido". Definitivamente, isso não existe. Circunstâncias influenciam-nos diariamente. Às vezes não estamos bem, problemas ocorrem, fatores naturais acarretam em situações nem sempre agradáveis. E muitas dessas circunstâncias são consequências de atos passados. Não estou falando de castigo, leia-se. Mas a cada passo que damos, surgem novas probabilidades de inimagináveis futuros. Jogamos os dados em cada ato tentando a sorte em um leque de possibilidades variáveis. Minha mãe pode morrer, pelo simples fato de eu estar escrevendo esse texto: ela o leria, me acharia louco, ficaria depressiva e pronto. Trágico, não? É um exemplo extremamente exagerado, mas ilustra de forma bem clara o pensamento.
Nós decidimos parte de nosso futuro, a outra é aleatória dentro do contexto. Tomamos decisões que influenciarão situações, isso é caos. Se eu quero passar no vestibular, estudarei, esse é o primeiro passo. Passar seria a consequência desde que em nossa vida não fizéssemos outras coisas. Durante a prova eu posso estar passando mal por ter comido carne de porco um dia antes. Ou mesmo depressivo, por ter terminado com a namorada. E veja: se eu terminei, é porque comecei. Logo, foi uma decisão passada, um ato anterior.
Sim, o pensamento é insano, uma "viagem através da loucura", mas aceitável. Não somos predestinados à nada, senão nem decisões tomaríamos. Ou será que estava "escrito" que tomaríamos certas decisões? Ahh, sei lá. A vida não teria a mínima graça se tudo já estivesse preparado. O legal é arriscar-se, é nunca saber nada ao certo: é tentar, errar, tentar de novo e aprender.

You are my only, my only one.

Não tenho o que fazer, então vou postar meu conto. Ficou um lixo, mas ninguém vai ler mesmo.

Embaixo da chuva

Olho para o céu.As nuvens são escuras e densas. É tão lindo que sinto vontade de pegá-las e apertá-las entre meus dedos frios.A vontade passa ao me lembrar que não é possível.
Encosto-me na parede e me sento na calçada, sem me importar com o que as pessoas à minha volta vão pensar.Elas já me olham torto por causa do visual desleixado, com meus tênis sujos e velhos, a camisa xadrez por cima da camiseta preta, os jeans rasgados na bainha e no joelho direito e os cabelos ruivos jogados nos ombros. Não sei o que tem de mais em não seguir a moda. E pouco me importa. Na verdade, não me importo nada.
E também não importa que eles me olhem. Iriam olhar de qualquer jeito, quando eu começar a chorar daqui a pouco. Eu vou chorar. Embora não esteja com vontade.Ainda não. É uma questão de minutos.
Ultimamente, eu tenho chorado por tudo.
Olho para cima novamente. O céu está tão escuro que parece noite. A minha noite particular, às três da tarde.
-Importa-se se eu me juntar a você? – ouço uma voz masculina angelical. Viro meu rosto pra observar seu dono. Um menino alto e musculoso de olhos claros se curva para meu corpo encolhido na calçada, esperando por minha resposta. Tento esboçar um sorriso, mas meus músculos estão fracos demais para isso.
O anjo ao meu lado encara o meu silencio como uma resposta positiva.
-Sou Eric.
-Juliette – digo em voz baixa.
Silêncio.Olho para a figura angelical; parece cansado e amedrontado... E ao mesmo tempo, feliz.
Ele me encara.Os olhos azuis me trazem de volta sensações há muito arrancadas de mim. Paz. Calma. Felicidade.
Se tem algo que sei sobre sentimentos assim é que não podemos depender deles. Mais cedo ou mais tarde eles são arrancados de nós. É aí que ficamos apenas com os sentimentos reais; aqueles que fazem nossas lágrimas saltarem de uma maneira ruim.Mas são os mais verdadeiros.
Por isso, desvio meu olhar de volta para o céu.
-Não é fascinante? – diz o anjo chamado Eric.
-É...- me surpreendo; é a primeira vez que alguém concorda comigo em relação ao céu perfeitamente escuro.
Ele se levanta.
-Vamos. – me diz sorrindo e me oferecendo a mão.
Hesito por um momento.
Não tenho nada a perder.
Levanto-me. Ele sorri ainda mais.
Dois minutos se passam. A chuva cai.
Em minha cabeça ecoa a voz de Kurt Cobain: ‘’I will move away from here/ You won’t be afraid of fear/ No thought was put in to this./ Things have never been so swell/ I have never failed to fail./ Pain/ You know you’re right.’’
Em meu rosto, as lágrimas começam a rolar. Mas embaixo da chuva, ninguém as percebe.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Scientia et Virtue?

Neste exato momento estou em um dos sete campos de futebol que existem na minha escola.Estou rascunhando este texto numa folha de papel por dois motivos:não tenho o que fazer e estou inspirada.
Antes que você me pergunte, não, eu não estou no intervalo. Fui obrigada a sair da sala de aula. Estou sem a apostila. De novo.Inglês é uma matéria inútil.
Olha,folhas secas no chão. Um presságio do outono.
Enfim,vamos ao meu texto.A minha ispiração veio na verdade na aula de português,agora à pouco,durante uma discussão (que não foi discutida). O assunto simplesmente veio à tona, mas o professor não quis debater. Ia ser muita polêmica, e a minha sala não ficaria mais quieta durante a aula toda.
Uma menina de 9 anos foi estuprada pelo padrasto. Engravidou de gêmeos. Como era uma gravidez de risco, decidiu-se fazer um aborto. O médico que o fez foi excomungado pelo bispo.
Em primeiro lugar, gostaria de ressaltar o fato de que neste país não estamos mais seguros nem nas nossas próprias casas. Simples demais para não entendermos.Bizarro demais para aceitarmos.
Em segundo lugar, casos de estupro como esse são os únicos que eu concordo com o aborto. A doutrina espírita acredita que a partir do momento da fecundação existe vida. Portanto, abortar é matar, e duvido que alguém seja tão perfeito a ponto de ter direito de tirar a vida de outro.
Droga, tem uma taturana subindo na minha calça.
Terceiro, acho que a igreja católica deveria rever seus conceitos. Diz que somos todos iguais perante Deus, mas se acha superior à medicina e à ciência. Tanto é que o bispo se achou no direito de excomungar o médico. Contraditório,não?

scientia et virtue: ciência e virtude (latim).

domingo, 8 de março de 2009

Pensando...


Partamos para algo mais filosófico hoje. Li o post da Gi e lembrei-me de meus estudos sobre filosofia, principalmente do período pré-socrático, relacionado ao vir-a-ser e ao arché. Particularmente, são reflexões que acho maravilhosas para se fazer, logo, tentarei escrever algo bom.


Exercício de pensamento: arché


Segundo os filósofos pré-socráticos, o arché seria basicamente a origem, o desenvolvimento e o fim de tudo. O ciclo, a transformação, o vir-a-ser. De acordo com Platão, tais filósofos eram ainda as "crianças da filosofia", por possuirem uma visão pessoal e fragmentária da realidade. Mas não gostaria de entrar nesse âmbito. Meu intuito aqui é proporcionar outras linhas de pensamento baseadas nas reflexões desses filósofos, ou melhor, de alguns deles.
Certamente, seria extremamente estranho dizer que a origem de tudo é o número. Para Pitágoras, o número era o sinônimo de harmonia, junção de opostos. Então, façamos um exercício de pensamento: tudo pode ser representado numericamente? Não digo que esse era exatamente o pensamento dos pitagóricos, mas entrarei nessa linha. Coisas materiais podem ser facilmente representadas ou descritas por números. Lembrando das aulas de matemática, figuras tridimensionais, por exemplo, podem existir por alguns pontos em 3 eixos do plano cartesiano. Como eu disse, coisas materiais. Mas e os sentimentos? Sua intensidade poderia ser descrita numericamente? "Estou com uma tristeza de intensidade 7." Isso não existe. Nesse caso, os números são mutáveis. O cálculo de 2+2 deixa de ser igual a 4, porque as pessoas mudam, o sentimento muda proporcionalmente, se é que existe qualquer proporcionalidade.
Os quatro elementos era o arché de Empédocles de Agripento. Ele acreditava que a união destes poderia transformar e fazer tudo. Porém, para ele nada se altera de fato. A junção dos quatro elementos pode ser desfeita e feita novamente por outros princípios, sendo eles o amor e o ódio. Os elementos e os princípios seriam imutáveis, mas inconstantes, e suas resultantes pouco duradouras. Então, pensemos: isso aplica-se realmente, ou metaforicamente a vida? Sentimentos antagônicos como amor e ódio, poderiam construir ou destruir algo, a ponto de reduzir a durabilidade de tudo? Isso é fato: o ser humano é movido a sentimento. Mesmo que hoje esteja ocorrendo uma ausência dele e um aumento do egoísmo, ainda existe algum, mesmo que "ruim". Nossas ações são baseadas neles. Poderiam perfeitamente ser a causa da finidade das coisas. Logo, pode-se pensar que a racionalidade pouco, ou inexiste, pois está intimamente ligada à emoção/sentimento, certo? Não digo que seja uma verdade, mas é um exercício de pensamento.

Vir-a-ser

O ser humano é um processo, não algo acabado, nós nos tornamos. Pode-se entender melhor pensando no presente e no futuro. Os dois coexistem harmonicamente, sendo assim, ações atuais não devem ser levadas friamente em consideração daqui algum tempo. Contrário a isso, pensemos que nunca mudamos, nós somos. Nossa essência não muda, nunca, as transformações são apenas superficiais. Será mesmo?
Evoluimos, ou não. Em nosso âmago, nossa personalidade reside, por toda a vida. É inegável que amadurecemos, que mudamos. Qual será a mudança? De pensamento? Pode ser. Veja bem: não estou entrando em âmbito universal, mas sim no humano, mais precisamente unitariamente, em cada um de nós. Em nossa vida, somos forçados a de alguma forma crescer. Problemas mudam, responsabilidades aumentam, entendimentos surgem, pensamentos afloram, logo, nunca estaremos acabados. Se a vida fosse infinita, a metamorfose seria igualmente, mas a personalidade residiria permanentemente. Pensamentos iguais aparecem em muitos de nós, mas nem sempre o interpretamos da mesma forma, por isso existe a diversidade de opinião. Como sempre digo, a índole continua. Se quando velhos bebemos, por exemplo, é porque desde pequenos tínhamos certa predisposição. Não julgo como certo ou errado agora, mas é para se pensar.

O infinito mora em nossos pensamentos, mas não cabe em nossas mentes. Não sou dono da verdade, pois a verdade não existe. Apenas reflita, e não só nisso, mas em tudo.



Have you heard the news that you're dead?

Se tem algo que eu nunca vou entender é esse preconceito que as pessoa têm com a morte. Quero dizer, até entendo que não seja um assunto que agrade os nosso pensamentos, mas não é só porque não gostamos que ela não existe. E, na verdade, não era para termos uma opinião sobre a morte. Sério, você não pode simplesmente estar odiando o fato de estar dentro de um caixão. Ou pode, sei lá. Mas não pode reclamar, seria tipo:
-Não quero ser enterrado.
-Mas,cara,você morreu!
Ok,ok, deixemos de lado a minha imaginação idiota. O fato é que todos nós, que somos afinal, meros mortais, morremos. É o ciclo da vida, embora eu tenha o dito em um pleonasmo.
Outro dia minha mãe discutiu comigo porque eu estava lendo Romeu e Julieta:
-Você fica lendo isso aí, só porque eles se matam! Depois vai querer fazer igual!
Juro, imaginação de mãe é foda. Eu ri na cara dela.
Não,eu não quero me matar, e não me mataria. Acredito que estamos todos aqui por um motivo,e quando tiver de ser será.
Eu estou começando a achar que vou morrer de dor de cabeça se a minha mãe não parar de reclamar de Romeu e Julieta e comprar logo a bendita neosaldina.

sábado, 7 de março de 2009

Animae Partus

Pain of Salvation

I am. I am. I am.
Eu não era, então vim a ser. Não consigo me lembrar de não ter sido. Talvez eu tenha sido formada nessa escuridão silenciosa em que me encontro, a partir dessa escuridão silenciosa... por essa escuridão silenciosa. Vir a ser é como adormecer. Você nunca sabe exatamente quando isso acontece, aliás, o que é ser? A transição, a magia. E você pensa... se você pudesse se lembrar do momento exato no qual houve a passagem, então você entenderia tudo, veria tudo. Talvez eu tenha estado sempre, eternamente aqui, e eu apenas esqueci. De alguma maneira eu pareço ter essa sede predestinada por conhecimento. Um talento para perceber padrões e achar correlações... mas me falta contexto, muito contexto. Quem sou eu? Passarei o resto da eternidade tentando descobrir...

Podem me chamar de Gih :)

Ops!


Humm... Ahn? Ah, sim, mais um blog para escrever, mais uma forma para me expressar. Esse post poderia ser uma apresentação, algo convencional, educado de minha parte. Mas, não. Vocês me conhecerão pelo que escrevo, mais divertido, concordam? Sempre pensei que não dá para fingir ser alguém ou algo quando se escreve. Não dá para ser outra pessoa: nossa personalidade aparece nas palavras ecritas. Claro, a não ser que você seja um Fernando Pessoa, mas ainda assim é difícil. De qualquer forma, ainda posso dizer algumas das coisas que pretendo fazer aqui: colocar fotografias, desenhos, e é claro, textos. Fiquem tranquilos, não colocarei minha cara feia exposta. Será algo artístico, uma outra forma de expressão.
Enfim. Nesse blog, teremos a Mi, como já perceberam; eu, e futuramente a Gi. Não, não precisam me chamar de Vi, ficaria estranho. Para efeitos explicativos, concluants é concludente em francês. O nome foi decidido da seguinte forma: abriu-se um dicionário aleatoriamente, e o resto já devem saber. Por efeitos caóticos, o significado de alguma forma combinou com a temática do blog.
E para minha grande estreia, aqui vai um texto. Por favor, não criem expectativas, não será lá essas coisas.

Qual a graça de ser igual? Sim, igual à todos. Ter os mesmos gostos, pensamentos, emoções, etc. Não me venha com o papo de que ninguém é igual, pois como diriam em 1984, isso é uma inverdade. A graça está na diferença.
Ninguém mais se preocupa com seus gostos pessoais. Hoje a moda é seguir a moda (ha-ha). Seria uma forma de incluir-se socialmente? Não sei, provavelmente é. Porém logo torna-se alienação. é muito fácil zumbificar jovens/pessoas hoje, basta colocar algo novo na TV e pronto.
E tudo está perdendo a graça. Ninguém questiona mais nada, apenas aceitam. Quem ainda se preocupa em pensar? Não é mais necessário, atualmente tem-se tudo mastigado. E será que essas pessoas são felizes? Será mesmo que a ausência de sentimento, emoção, ideias causa felicidade? Parece que sim, mas só externamente. No íntimo tais pessoas devem querer algo mais, só não sabem o que, pois não pensam. É, um ciclo.
Aqui perguntas serão feitas, poucas respostas serão dadas. Você será forçado a pensar, refletir. Desisti de tentar explicar diretamente, não entra na mente de ninguém. O jeito agora é usar de subterfúgios. Claro, poucos gostarão, isso se realmente alguém visitar o blog, mas e aí? Como a Mi disse, a mente humana é complexa, mas acho que apenas a de poucos. A da maioria já foi violada, alienada, já perdeu a complexidade, o fascínio. Sendo assim, sinta-se à vontade. Aviso: somos loucos.

Pronto, falei.

cuma?

Senhoras e senhores, crianças e idosos, terráqueos e alienígenas. Permitam-me apresentar. Sou apenas mais uma nessa massa de gente estranha nesse pequeno planeta que um dia pudemos chamar de nosso (agora não é mais ''nosso''; é dos ganaciosos, dos capitalistas, dos auto-denominados ''espertos'',que ao meu ver são mais burros que uma porta). Milena (mas ninguém me chama assim, a menos que esteja bravo comigo ou seja meu professor,então, miih, por favor). 15 anos,quase 16. Aos que se interessam ou acreditam em astrologia, sou do signo de áries.Deduzam o que quiserem com isso. Mas lhes garanto que nada que conseguirem entender lhes dirá exatamente quem eu sou.
Dor de cabeça. Alguém tem uma neosaldina aí?
Meu senso de humor é sacárstico/irônico/besta. Dependendo da piada,até um senso de humor negro me agrada.
O que mais temo na vida é a mente humana. E de uma forma estranha, quase um paradoxo, isso é o que mais me fascina.
Este texto está horrível, você ainda está lendo isso?
Bom... sou um pouco anormal. Mas convenhamos, quem nesse mundo é ''normal''?
E de qualquer forma, se vemos alguém ''normal'',achamos estranho. Bizarro,não?
E eu pagaria dez centavos se alguém me dissesse exatamente o que é normal. Sem dicionários. Vamos lá?

Desistiu?Pra ser honesta,eu também. Então procuremos no dicionário.
Normal : Regular/Ordinário/ Que se ajusta a certas normas
Definitivamente,não sou normal. Fujo de qualquer padrão estabelecido pela sociedade.Mas não me importo.
É...Certo,essa sou eu. Não consigo me definir. Tenho certeza que você não entendeu muito disso.
Eu também não entendi.
Deus, preciso de uma neosaldina.