sexta-feira, 13 de março de 2009

Na fonte da alma

Seu rosto era coberto, pois estava dividido em múltiplas faces. Assim como sua alma, fragmentada em pedaços de vida solitária, tentando juntar-se em única entidade. A personalidade, mutável, possuía a inconstância de suas lágrimas, que se espalhavam sobre seu corpo. Sua tez era alva, macia. Seus olhos brilhavam como um cristal iluminado pela luz da manhã, pedindo amor. O que seria dela sozinha?
A chuva caía-lhe, dando pequenos pulsos de vida. Mas não vivia, apenas buscava respostas. E nas respostas que não encontrava, via uma forma de continuar. E caminhava. Caminhava em busca de um ser, de um nada, um tudo. Não sabia ao certo.
Ao deparar-se com mistérios, questionava-se. Dava valor aos detalhes que ninguém se importava. Pois sua mente era composta por supostas insignificâncias que lhe eram um presente. E o futuro? Incerto. Seu tempo era diferente: não passava.
Presa continuou. Não libertou-se de memórias que açoitavam sua simples existência. Era apenas mais um ser humano. Por que incomodar-se tanto? Porque ainda assim, nela havia sentimento, o que hoje falta nos outros...

1 comentários:

Anônimo disse...

Um belo conflito de personalidade de um personagem atormentado e cheio de questinamentos. É intenso e com sentimentos intensos. Muito bom!

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