Deitado na cama, eu pensava. A noite era escura; a brilhante luz da lua era filtrada por nuvens que cobriam o céu. Minha hora preferida. Escondia-me sob os densos cobertores, entrelaçava os dedos sobre meu peito e sonhava acordado. Olhava para o teto, sem nada enxergar, sem ao menos prestar atenção. Enquanto minhas pálpebras não eram cobertas de areia pelo Homem dos Sonhos, eu refletia sobre tudo e qualquer coisa. Mas naquele dia o tema trazido por minha mente era especial: a magia da noite. O que tinha ela de tão especial?
É à noite que sonhamos: nossos mais profundos e secretos desejos tornam-se realidade em um mundo frágil, sensível, quebradiço; uma fantasia de infinitas possibilidades. E ao mesmo tempo, nossos medos nos atacam; as lembranças chegam cruéis, cobras que dão o bote, que nos mordem e deixam seu veneno por dias.
À noite ensaiamos para nosso fim. Dançamos parte da coreografia da morte com a melodia dos pesadelos. Nossas almas caminham sem endereço certo momentaneamente, mas por estradas que levam a um só caminho. Poderia a eterna noite negra ser como o sono?
Na silenciosa escuridão vagam as almas solitárias que não dormem, as aberrações excluídas pela luz; vampiros que nem sempre chupam sangue. Aquelas tristes figuras que temem revelar-se durante o dia, sendo queimadas por olhares enojados...
E na cama, durante o sono, descansamos: nossas energias são revitalizadas e nossa vida revigorada. Nossas forças reaparecem por algum tipo de magia. Das estrelas?

1 comentários:
Adorei mesmooo! Acho que isso é o que realmentetodosnós sentimos à noite, pelo menos o "nós" que refletem no final do dia sobre tudo.
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